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Em marcha expressiva, povos indígenas do Brasil exigem demarcação de terras e cancelamento do Ferrogrão.

10 de abril de 2026 | Para divulgação imediata


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Brasília, Brasil Mais de 7,000 indígenas marcharam pelas ruas de Brasília ontem sob a bandeira “Demarque, Lula! Um Brasil soberano é um Brasil com terras indígenas demarcadas e protegidas”, pressionando o governo federal e o Supremo Tribunal Federal a reivindicarem importantes direitos durante a mobilização final do Acampamento Terra Livre 2026 (ATL). Com o encerramento do maior encontro indígena anual do país, o movimento ressaltou a urgência da demarcação de terras indígenas e a rejeição de projetos destrutivos como o... Ferrogrão megaferrovia, que coloca em risco a Amazônia e o Cerrado.

Durante a marcha, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) entregou uma carta ao Ministério de Minas e Energia e à Secretaria-Geral da Presidência da República. A carta denuncia ameaças aos direitos indígenas e exige o fim de políticas que permitem a extração de recursos naturais em terras indígenas sem consulta às comunidades afetadas. A carta exige “a proibição de qualquer obra, projeto, programa, concessão, processo de licenciamento ou medida administrativa apoiada pelo Poder Executivo sem consulta livre, prévia e informada”. Acrescenta ainda que “não pode haver política climática legítima, nem transição energética justa, se os territórios indígenas continuarem a ser tratados como zonas de sacrifício”.

Ao longo da semana, povos indígenas das bacias dos rios Tapajós e Xingu denunciaram a expansão do chamado Corredor Logístico do Arco Norte. Esse corredor combina rodovias, ferrovias, portos e hidrovias para transportar soja e milho do centro do Brasil através dos rios amazônicos. Líderes dos povos Munduruku, Borari, Kumaruara, Tupinambá, Panará e Kayapó, entre outros, participaram de debates e ações de organização na ATL. Eles descreveram como esse modelo de infraestrutura alimenta o desmatamento, a contaminação por agrotóxicos, a pressão sobre os rios e territórios indígenas, e a destruição de sítios sagrados e modos de vida tradicionais.

Neste contexto, Ferrogrão O projeto surgiu como um dos principais símbolos do desenvolvimento destrutivo condenado durante a ATL. Ele conectaria os estados de Mato Grosso e Pará, e os povos indígenas o consideram fundamental para a expansão do corredor agroindustrial de exportação. A questão ganhou urgência porque o Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil deveria se pronunciar esta semana sobre a constitucionalidade do projeto, uma decisão que poderia permitir o prosseguimento do licenciamento ambiental. Após forte pressão pública, as autoridades adiaram a decisão. Cerca de 200 indígenas se reuniram em frente ao STF para acompanhar o processo e pediram aos ministros que não abrissem caminho para o projeto.

“Viemos ao Supremo Tribunal porque não vamos desistir de cuidar do Rio Tapajós. O Ferrogrão ameaça o nosso rio, o nosso território e o futuro dos nossos filhos, e os ministros precisam ouvir isso”, disse Alessandra Korap Munduruku, que compareceu ao STF nos dois dias em que o tribunal deveria se pronunciar, ao lado de dezenas de outros indígenas mobilizados em defesa do Tapajós.

Em um evento organizado pela Aliança Basta de Soja, o lendário Cacique Raoni criticou a Ferrogrão e alertou para os danos ambientais que o projeto poderia causar. 

“Ferrogrão causará muitos danos ao meio ambiente. Esse tipo de projeto ameaça a floresta, os rios e nossos territórios, e não pode prosseguir”, disse o Cacique Raoni.

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