Amazon Watch

Mulheres indígenas da Amazônia ocupam agência federal para exigir a suspensão da licença da Belo Sun Mining.

11 de março de 2026 | Para divulgação imediata


Amazon Watch

Para mais informações, contactar:

Daleth Oliveira em conveyors.au@prok.com ou +55.91.982474410 (português)
Christian Poirier em conveyors.au@prok.com ou +1.510.944.9421 (inglês)

Belém, Brasil Desde 23 de fevereiro, mais de 140 indígenas, liderados pelo Movimento de Mulheres Indígenas do Médio Xingu (MMIMX), ocupam a sede regional da FUNAI (Fundação Nacional do Índio) na cidade amazônica de Altamira para exigir a suspensão da licença de mineração da Belo Sun para a mina de ouro “Volta Grande”, às margens do rio Xingu. Mulheres indígenas da região têm se destacado como importantes defensoras do rio e de seus territórios, organizando resistência a projetos que ameaçam a água, os sistemas alimentares e a saúde das comunidades. A mina a céu aberto proposta seria construída no trecho da Volta Grande do Xingu, uma área já severamente impactada pela mega usina hidrelétrica de Belo Monte e lar de dezenas de comunidades indígenas, que, segundo seus líderes, não suportariam outro projeto industrial de grande escala.

A mobilização reúne representantes dos povos Juruna, Xikrin, Xipaia e Curuaia, que reivindicam a suspensão da licença da empresa canadense Belo Sun para o projeto Volta Grande, previsto para se tornar a maior mina de ouro a céu aberto do Brasil, no coração da Amazônia. Os líderes do protesto também exigem que as autoridades transfiram o processo de licenciamento da Belo Sun do governo do estado do Pará para o nível federal, sob a autoridade do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis ​​(IBAMA), argumentando que o projeto ameaça territórios indígenas e a estabilidade ecológica da bacia do rio Xingu.

O protesto surge na sequência de uma decisão do mês passado, na qual um juiz do Primeiro Tribunal de Circuito do Brasil (TRF1) restabeleceu a licença de instalação do projeto.Em resposta, o Ministério Público Federal (MPF) interpôs recurso solicitando a suspensão imediata da decisão. Os procuradores afirmam que a Belo Sun não cumpriu integralmente as exigências legais de proteção às comunidades ameaçadas e alertam que o avanço do projeto pode causar danos socioambientais e culturais permanentes.

“Estamos tentando anular a licença de instalação da Belo Sun e também queremos que esse processo saia das mãos do governo estadual e seja transferido para o IBAMA, porque, por enquanto, permanece sob a responsabilidade do SEMAS [órgão ambiental do estado do Pará]”, disse Sol Juruna, líder do MMIMX do Território Indígena Paquiçamba, uma das áreas mais ameaçadas pela megamina da Belo Sun.

De acordo com as um manifesto divulgado pelo movimentoA ocupação pacífica da FUNAI suspendeu as operações da agência e teve início após o governo atrasar o atendimento às reivindicações apresentadas anteriormente por mulheres indígenas do Médio Xingu. “Essa medida extrema foi tomada devido à demora e à ineficiência do Estado em garantir nossos direitos e proteger nossos territórios”, afirma o documento.

A carta também rejeita a decisão que restabeleceu a licença de instalação da Belo Sun e afirma que as autoridades não realizaram a consulta livre, prévia e informada obrigatória com os povos indígenas diretamente afetados pelo projeto. O documento pede a suspensão da licença de instalação da Belo Sun e explica como a região já sofreu graves impactos da mega barragem de Belo Monte. Exige o cumprimento do parecer técnico da FUNAI de 2015, que recomendou o bloqueio de quaisquer novos projetos de grande escala ao longo do trecho do Xingu mais impactado por Belo Monte, porque a barragem redirecionou 80% da vazão do rio para um canal artificial.

A crescente pressão das mulheres indígenas surge em meio a alertas de instituições públicas e pesquisadores sobre falhas no projeto Volta Grande. Minando Direitos O estudo (“Direitos de Mineração Afastados”), lançado em novembro de 2025 em parceria com o Ministério dos Povos Indígenas do Brasil e a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), descreve o caso da Belo Sun como emblemático das violações dos direitos indígenas na Amazônia. O estudo afirma que as autoridades licenciaram o projeto sem estudos adequados de todas as comunidades indígenas ameaçadas e sem realizar consultas livres, prévias e informadas com essas comunidades.

O mesmo relatório afirma que o Projeto Volta Grande inclui duas minas a céu aberto, dois reservatórios e uma barragem de rejeitos com capacidade para 35.43 milhões de metros cúbicos, com estruturas localizadas junto ao rio Xingu. O relatório mostra que pelo menos 20 aldeias indígenas já sofrem ou podem sofrer impactos diretos e indiretos do projeto, incluindo riscos de contaminação por compostos tóxicos como cianeto, arsênio e chumbo, além dos impactos cumulativos da barragem de Belo Monte.

Esses avisos estão em consonância com um relatório de 2022 publicado por Amazon Watch e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB)O documento demonstra como a megamina proposta pela Belo Sun representa uma séria ameaça à biodiversidade, ao clima e aos meios de subsistência das comunidades na região do Volta Grande. O documento observa que a mineração industrial pode causar desmatamento em um raio de até 70 quilômetros e compara os riscos da barragem de rejeitos do projeto aos de grandes desastres de mineração recentes no Brasil, como Mariana e Brumadinho.

POR FAVOR COMPARTILHE

URL curto

Doação

Amazon Watch baseia-se em mais de 28 anos de solidariedade radical e eficaz com os povos indígenas em toda a Bacia Amazônica.

DOE AGORA

TOME A INICIATIVA

Belo Sun Mineração na Amazônia!

TOME A INICIATIVA

Fique informado

Receber o De olho na amazônia na sua caixa de entrada! Nunca compartilharemos suas informações com ninguém e você pode cancelar a assinatura a qualquer momento.

Subscrever