Santarém, Pará, Brasil – Hoje, o ocupação indígena O protesto no terminal de grãos da Cargill em Santarém entrou em seu 20º dia, aprofundando o impasse do movimento com o governo Lula sobre os planos de dragagem do Tapajós e privatização dos rios amazônicos. Embora o governo federal tenha anunciado na sexta-feira que suspenderia os planos de dragagem do Tapajós, líderes do Baixo e Médio Tapajós afirmam que o protesto continuará por tempo indeterminado, porque a concessão não oferece nenhuma garantia concreta de seu cancelamento definitivo, nem atende à principal reivindicação do movimento: a revogação da Lei de Proteção Ambiental (APA). Decreto 12,600/2025.
Desde 22 de janeiro, a mobilização indígena denuncia que o decreto foi emitido sem consulta livre, prévia e informada, conforme exigido pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, da qual o Brasil é signatário. O decreto coloca trechos dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins sob o Programa Nacional de Privatização (PND) do Brasil, abrindo caminho para a privatização dos chamados serviços de “manutenção da navegação”, incluindo operações de dragagem destrutivas. As comunidades que bloqueiam o terminal da Cargill destacam como a expansão da infraestrutura de exportação é imposta a territórios vivos e a direitos coletivos na Amazônia.
O protesto, que durou semanas, foi desencadeado pelos planos do governo de contratar serviços de dragagem no trecho Santarém-Itaituba do rio Tapajós, adjacente a sítios arqueológicos e locais sagrados para o povo Munduruku. Para os líderes indígenas, a “suspensão” proposta pelo governo oferece apenas um alívio temporário: retarda o processo no curto prazo, mas Isso deixa a porta aberta para que o leilão seja reiniciado a qualquer momento., mesmo que as violações legais documentadas nunca sejam abordadas.
“Na prática, é uma resposta que tenta nos mandar de volta para casa sem oferecer o que o movimento considera o mínimo: a anulação do processo de dragagem, a revogação do Decreto 12,600/2025 e uma garantia de consulta de boa-fé antes de qualquer medida ser implementada”, disse Alessandra Korap, líder Munduruku e vencedora do Prêmio Ambiental Goldman de 2023.
A deputada federal Célia Xakriabá, que visitou a ocupação no fim de semana, afirmou que o caso Tapajós está ligado a um debate mais amplo sobre o futuro dos rios da Amazônia e o custo social da infraestrutura voltada para a exportação. “Essa luta não é apenas dos povos indígenas - É para garantir que seu filho tenha o direito de se banhar no rio e de se alimentar com água do rio. Você já teve que pagar para nadar no Tapajós? Para se banhar no Arapiuns? O dinheiro pode comprar muitas coisas, mas não pode comprar o rio de volta”, disse Xakriabá.
“O que está acontecendo no Tapajós dá ao Brasil a chance de escolher um caminho diferente da destruição causada pela monocultura da soja e pela exportação de commodities. A resistência contínua dos povos indígenas mostra que ainda há tempo para o governo brasileiro priorizar a sociobiodiversidade e a soberania alimentar em vez de mais lucros para grandes corporações e bilionários”, disse Pedro Charbel. Amazon Watch Ativista do Brasil.
Contexto
O Decreto nº 12,600/2025 incluiu as hidrovias da Amazônia no Programa Nacional de Privatização (PND) do Brasil, uma medida vinculada aos processos de concessão ao setor privado. Para os povos indígenas do Rio Tapajós, a consulta não pode ser tratada como um mero exercício processual para legitimar decisões já tomadas, e qualquer tentativa de transformar o rio em um corredor permanente de exportação intensificaria a pressão sobre os territórios tradicionais e sobre o próprio equilíbrio ecológico do rio.



