Washington DC - O encontro de ontem entre o presidente colombiano Petro e Donald Trump oferece esperança, mas não garante uma melhora na relação entre os dois líderes. Ele evidenciou a importância do diálogo interpessoal para resolver divergências e, idealmente, alcançar relações mais equitativas entre os dois países. Nesse sentido, Petro demonstrou liderança internacional não apenas pela Colômbia, mas por toda a América Latina.
Agradecemos a insistência do Presidente Petro na busca de soluções para a crise climática global. Durante a reunião, ele ofereceu a exportação de energia limpa de La Guajira para a reconstrução do oeste da Venezuela. Conhecendo o histórico problemático dos megaprojetos de parques eólicos naquele estado, ressaltamos a importância do estrito respeito aos direitos humanos e territoriais dos povos indígenas afetados, neste caso, o povo Wayuu.
Em relação ao narcotráfico, Petro enfatizou a necessidade de perseguir os principais chefões do tráfico que não residem na Colômbia, além da ineficácia de atacar pequenos agricultores que cultivam folhas de coca por desespero.
Dado que as máfias do crime organizado operam além-fronteiras, os governos também precisam cooperar para criar uma resposta multinacional, por exemplo, entre todos os governos dos países amazônicos. Além do tráfico de drogas, eles devem abordar outras economias ilícitas, como a mineração de ouro e a extração ilegal de madeira. Países consumidores, como os Estados Unidos, também devem implementar políticas eficazes de redução de danos para lidar com a demanda por cocaína e outros narcóticos.
A Colômbia deve continuar a implementar políticas pragmáticas e inovadoras de substituição de culturas no terreno, pois somente através da governança comunitária local é possível criar alternativas de segurança e econômicas. Insistimos na centralidade da proteção individual e coletiva de líderes sociais, ativistas ambientais e defensores dos direitos humanos para qualquer estratégia eficaz contra crimes ambientais.
Apesar de uma aparente "atmosfera amigável" durante o encontro, a ameaça representada pelo governo Trump para a Colômbia permanece latente, por meio de uma possível intervenção nas eleições presidenciais de maio. A Doutrina Monroe continua sendo um pilar central da estratégia de segurança nacional dos EUA, e o governo Trump continuará aproveitando qualquer oportunidade para impor seus interesses geopolíticos e corporativos no hemisfério.




