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Senado brasileiro aprova emenda constitucional que coloca em risco terras e comunidades indígenas.

As empresas de mineração podem se beneficiar enquanto organizações indígenas alertam para um desastre ambiental e de direitos humanos iminente.

10 de dezembro de 2025 | Para divulgação imediata


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Brasília, Brasil - Na terça-feira, 9 de dezembro, o Senado brasileiro aprovou, em votação expedita e irregular, a Proposta de Emenda Constitucional nº 48 (PEC48), que busca consagrar a chamada Constituição da União Europeia. Prazo (cláusula de “limite de tempo”) na Constituição. Se promulgada, a medida permitiria que indivíduos que ocupam ilegalmente terras indígenas, incluindo grileiros como pecuaristas, reivindicassem direitos sobre territórios já reconhecidos como terras indígenas. Também exporia alguns dos ecossistemas mais preservados do Brasil à crescente grilagem de terras e à pressão econômica.

“O que aconteceu ontem ficará marcado na história como um dos capítulos mais vergonhosos promovidos por aqueles que foram eleitos para defender o povo e a Constituição Federal”, disse a ministra dos Povos Indígenas do Brasil, Sonia Guajarara. “O Senado brasileiro acaba de se manifestar contra os direitos indígenas ao aprovar a PEC48. Isso representa um grande retrocesso para a democracia brasileira e para a demarcação de territórios indígenas.”

“Esta emenda representa o ataque mais profundo às garantias constitucionais de proteção territorial desde 1988. Ao abrir caminho para novas disputas de terras e viabilizar a expansão da mineração na Amazônia, o Brasil coloca em risco seus compromissos climáticos, sua credibilidade internacional e a própria sobrevivência dos povos indígenas. Os direitos originários não podem ser reescritos e não são negociáveis”, afirmou Ana Alfinito, assessora jurídica da [nome da organização/emenda]. Amazon Watch.

A alteração teria consequências importantes para regiões críticas em termos climáticos. A Agência Nacional de Mineração (ANM) do Brasil relata quase 11,000 pedidos de mineração que se sobrepõem a terras indígenas, estejam elas totalmente demarcadas ou ainda em processo de demarcação.

Entre as empresas que mais solicitam concessões está a mineradora canadense Belo Sun, responsável pelo controverso projeto Volta Grande, na região do Xingu. A Belo Sun detém o segundo maior número de pedidos de exploração mineral em terras indígenas, perdendo apenas para a Vale. A aprovação da emenda intensificaria os conflitos territoriais e ampliaria a pressão industrial sobre áreas essenciais para a estabilização do clima global.

As maiores organizações indígenas do Brasil alertam que a emenda desmantela o marco constitucional do país para a proteção territorial.

COIAB (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira) estabelecido A organização afirma que o prazo limite “abre caminho para a incerteza jurídica, o aumento de conflitos e a legitimação de invasões, ignorando expulsões históricas e a violência estatal que deslocaram os povos indígenas”. A organização enfatiza que a titulação de terras indígenas é “um ato de reparação histórica e fundamental para a salvaguarda dos ecossistemas mais preservados do Brasil”.

APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) descreve a emenda como “a institucionalização da negação dos direitos indígenas”. Segundo a APIB, isso legaliza remoções forçadas, impede a correção de abusos estatais do passado e submete a Constituição a interesses privados. “Os direitos originários não podem ser reduzidos por meio de manobras legislativas”, afirmou a organização, reafirmando que os povos indígenas “permanecerão em luta permanente pela Constituição e pela vida”.

A votação do Senado contradiz diretamente a decisão de 2023 do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, que rejeitou o marco temporal. A emenda afirma que os povos indígenas teriam direitos apenas sobre as terras que ocupavam fisicamente em 5 de outubro de 1988 – um critério que ignora décadas de expulsões, remoções forçadas e deslocamentos patrocinados pelo Estado antes do retorno do Brasil à democracia.

Especialistas jurídicos alertam que a proposta viola uma cláusula irrevogável da Constituição: os direitos originários, inalienáveis ​​e imprescritíveis dos povos indígenas às suas terras. Esses direitos são anteriores à criação do Estado brasileiro e são reconhecidos na Constituição de 1988 e em instrumentos internacionais como a Convenção 169 da OIT, a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas (UNDRIP) e o Acordo de Escazú.

A emenda também contradiz os compromissos globais de biodiversidade e clima que o Brasil endossou no âmbito da Conferência de Kunming-Montreal sobre a Biodiversidade (COP15), bem como as salvaguardas ambientais e de direitos humanos exigidas em negociações comerciais, como o Acordo Mercosul-União Europeia.

A proposta segue agora para a Câmara dos Deputados do Brasil. Se aprovada e sancionada pelo presidente Lula, ela enfraqueceria significativamente a proteção dos territórios indígenas, colocaria em risco os direitos humanos, abriria caminho para projetos industriais destrutivos e prejudicaria a liderança global do Brasil na questão climática.

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