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Proteger a Amazônia, taxar os poluidores: ativistas climáticos exigem ação na COP30 em Belém, Brasil.

17 de novembro de 2025 | Democracy Now!

AMY GOODMAN: Isto é Democracy Now!, democracynow.org, O relatório de guerra e pazEu sou Amy Goodman. Estamos transmitindo ao vivo da cúpula climática da ONU, na cidade brasileira de Belém. É a porta de entrada para a Amazônia.

A COP30 acontece 33 anos depois da Cúpula da Terra do Rio, que estabeleceu a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). Líderes e delegados de mais de 190 países iniciaram a segunda semana de negociações na cúpula, conhecida como COP30 – sigla para Conferência das Partes 30.

Estamos agora com duas convidadas. Leila Salazar-López é a diretora executiva de Amazon WatchEla escreveu recentemente um neste artigo Com o título “COP30 na Encruzilhada: Soberania Indígena ou Colapso Climático”, contamos com a presença de Viviana Santiago, diretora-executiva da Oxfam Brasil. No início deste ano, ela se juntou ao governo Lula como membro do conselho presidencial focado em desenvolvimento sustentável. A Oxfam lançou recentemente um relatório.   Intitulado “Saque Climático: Como uma minoria poderosa está condenando o mundo ao desastre”, o relatório da Oxfam também apresentou uma petição com mais de um milhão de assinaturas ao governo brasileiro exigindo que os super-ricos paguem pelos danos climáticos.

Convidamos vocês dois para Democracy Now! É algo realmente especial estar aqui, na porta de entrada da Amazônia. Viviana, vamos começar com você. Para nossa audiência global, você pode nos contextualizar? Onde exatamente estamos? Qual a importância de Belém? Por que a cúpula climática da ONU – por que Lula, o presidente do Brasil, escolheu esta cidade como porta de entrada para o clima?

VIVIANA SANTIAGO: Muito obrigada pelo convite. É muito importante para nós estarmos aqui com vocês.

Falar sobre a importância de estar aqui na região amazônica é falar sobre a vulnerabilidade que se vê nesta região. Vemos como a pobreza afeta as pessoas aqui. Mas também vemos como essas pessoas podem responder à crise climática. Acho que a ideia central é o que podemos obter deste ambiente em termos de resistência, poder, conexão com a Terra e a natureza, e como a ancestralidade desempenha um papel importante, garantindo que precisamos nos conectar com nossas raízes. Mas, ao mesmo tempo, vemos que essas pessoas que lutam pela sobrevivência, que lutam pela conservação, são as mais afetadas no mundo. E trata-se da crise climática e, de certa forma, de justiça climática. Precisamos entender que as pessoas mais afetadas pela crise climática são aquelas que não fizeram nada para combatê-la. Então, como podemos agir para proteger suas vidas e garantir que os ricos poluidores paguem por isso?

AMY GOODMAN: Então, estamos aqui na foz do Amazonas, certo? Em Belém, na Amazônia, os pulmões do planeta. Você pode falar sobre os impactos do aumento das temperaturas e do desmatamento?

VIVIANA SANTIAGO: Aqui no Brasil, e especialmente nesta região, podemos ver esse impacto. Podemos ver como o calor está afetando a saúde das pessoas, como é quase impossível para algumas crianças irem à escola, porque as escolas não estão preparadas para esse calor, mesmo aqui nesta região. Mas em certos meses do ano, todo o país pode sofrer as consequências. Então, o que estamos enfrentando agora é uma crise climática aqui no Brasil que está afetando todo o país. O que acontece na Amazônia afeta o Brasil como um todo. Portanto, o que precisamos fazer agora é garantir que teremos condições para adaptações e para mitigar o risco.

AMY GOODMAN: Leila Salazar-López, contextualize o Brasil regionalmente, destacando a importância do país no que diz respeito às mudanças climáticas. Afinal, acabamos de ouvir Viviana dizer que as pessoas que menos contribuem para as mudanças climáticas são as mais afetadas por elas. E também responda ao presidente Trump, um notório e declarado negacionista das mudanças climáticas – cuja campanha foi baseada no slogan “perfure, bebê, perfure” –, por não enviar uma delegação de alto nível a esta cúpula do clima. É a primeira vez na história da COP que isso acontece.

LEILA SALAZAR-LÓPEZ: Bem, obrigada, Amy, por me receber, e Democracy Now! Na verdade, isso é sobre democracia, certo? Você começou o segmento dizendo que não temos tido a sociedade civil nas COPs há três anos, e é isso que estamos vendo aqui no Brasil. Estamos vendo… 

AMY GOODMAN: E explique isso, porque estamos falando de governos mais repressivos que não permitiam protestos públicos.

LEILA SALAZAR-LÓPEZ: Nos últimos três anos, as COPs aconteceram no Egito, em Dubai e no Azerbaijão. A presença da sociedade civil foi muito, muito limitada. Ficou restrita aos espaços internos. E a beleza da COP da floresta, a beleza da COP dos povos no Brasil, é que a sociedade civil é muito ativa, tanto dentro quanto fora dos espaços.

E como a Viviana estava dizendo, é crucial entendermos o que está acontecendo aqui na Amazônia. A Amazônia está em um ponto de inflexão. Não é algo que está por vir; já está aqui. Por quê? Acho que devemos discutir por que a Amazônia está em um ponto de inflexão, por que a Amazônia está literalmente queimando. É por causa das políticas públicas. É por causa da indústria. É por causa da extração. É por causa da contínua apropriação de terras, da extração de petróleo, da extração mineral, da apropriação de terras indígenas.

E é por isso que vemos as mobilizações de comunidades indígenas e locais dizendo: “Queremos nossas terras de volta. Queremos a demarcação de terras. Queremos que nossos direitos sejam respeitados. Queremos que a mineração seja retirada de nossas terras. Queremos a Amazônia livre de extração.” Literalmente, está acontecendo agora um protesto de uma mobilização de povos indígenas, deixando uma aldeia indígena com mais de 3,500 habitantes.

E é por isso que dizemos que esta é a COP Indígena. Há mais povos indígenas aqui em Belém do que em qualquer outra COP da história. E isso é significativo, porque os povos indígenas são os guardiões das florestas. Eles protegem a floresta – ribeirinhos, camponeses, quilombolas. Eles protegem as florestas das ameaças, da destruição. E eles têm marcado presença de forma muito significativa aqui na COP.

Sim, há a ausência do governo dos EUA, como negacionista climático, mas a sociedade civil americana também está aqui. Estamos aqui com muita força. E mesmo que o nosso governo federal negue as mudanças climáticas, estamos aqui para apoiar o povo e exigir que a Amazônia esteja livre da exploração de combustíveis fósseis. Não há menção à extração de combustíveis fósseis e ao fato de que ela é a principal causa das emissões globais de gases de efeito estufa. Então, algo está faltando. Com mais de 1,200 lobistas de combustíveis fósseis aqui, isso é mais do que a delegação de alguns países inteiros. Precisamos encarar a realidade e aceitar que precisamos manter o petróleo no subsolo. Temos dito isso há muito tempo, desde o Acordo de Paris. Estamos muito mais perto de ouvir isso aqui na COP30. E são os povos indígenas e as comunidades locais que estão deixando claro que queremos a Amazônia livre da exploração de combustíveis fósseis.

AMY GOODMAN: E, Viviana Santiago, são essas pessoas, os ativistas ambientais de base, particularmente os indígenas, que também enfrentam as maiores ameaças, não apenas ambientais, mas também pelo número de pessoas assassinadas nos últimos anos. Você pode falar sobre essa violência e quem a está perpetrando?

VIVIANA SANTIAGO: Aqui no Brasil, temos plena consciência de que o país é um dos mais perigosos do mundo para ativistas da sociedade civil, especialmente ativistas ambientais. E o assassinato de ativistas da sociedade civil está totalmente relacionado à terra, ao extrativismo, à proteção das florestas. As pessoas que estão aqui no Brasil falando sobre isso estão em perigo. E não há conversas suficientes sobre o assunto, não por parte de toda a sociedade, porque entendemos que os interesses por trás dessa realidade estão totalmente alinhados com os combustíveis fósseis, com a nova economia, com esse modelo de sustentabilidade. E aqui no Brasil, não veremos nenhuma melhora nesse contexto se não estivermos abertos a discutir com o setor privado, que é quem realmente está por trás dessas realidades, porque na prática, pessoas estão sendo assassinadas porque estão tentando proteger suas terras, seu modo de vida, seus rios.

AMY GOODMAN: Na verdade, você está desempenhando dois papéis, embora eu seja quem está usando o chapéu neste programa. Seus dois papéis são: você é chefe da Oxfam Brasil e acaba de entrar para o governo Lula como membro do conselho consultivo da presidência. Pouco antes da COP, o governo Lula aprovou uma nova exploração de petróleo perto da foz do Rio Amazonas, enquanto Lula apoiou a revitalização de uma rodovia de 900 quilômetros que, segundo grupos ambientalistas e indígenas, facilitaria o acesso de indústrias extrativistas e ameaçaria vastas áreas de floresta. Você poderia comentar sobre isso, como alguém que tantas vezes esteve de fora, mas que agora também está dentro?

VIVIANA SANTIAGO: Sim, essas decisões foram realmente devastadoras para todos nós. Nós, como sociedade civil, lutamos muito contra isso. Mas entendo que, neste governo, eles acreditam que existe uma maneira de financiar a transição dos combustíveis fósseis. Pessoalmente, discordo. Discordo completamente que esse seja um caminho viável para nós, porque esse caminho nos levou à realidade que enfrentamos agora. Isso está gerando muita resistência em todo o país e solidariedade no mundo todo. Acho que ainda é hora de mudar essa realidade. Ela afeta e aumenta muito a ameaça contra os povos indígenas e comunidades tradicionais no Amazonas. Não há como essas atividades não gerarem mais impacto, mais perigo. E acho que ainda é hora de reverter essas decisões. O movimento atual da sociedade civil no Brasil está realmente tentando mudar essa decisão, porque é impossível manter o Brasil no rumo certo com a situação atual.

AMY GOODMAN: Leila Salazar-López, você poderia falar sobre o papel dos povos indígenas na exclusão das negociações? Você está aqui há uma semana. Poderia falar sobre o andamento das negociações aqui em Belém? Estamos na COP30, a cúpula climática da ONU, onde essas negociações estão acontecendo. E para quem não entende o que acontece todos os anos, qual a importância de chamarmos isso de cúpula de ação?

LEILA SALAZAR-LÓPEZ: A importância de ser chamada de cúpula de ação reside no fato de que precisamos de ação pela Amazônia. Precisamos de ação pelo clima global e pelas comunidades. Ouvimos muito falar sobre financiamento direto. Fala-se muito sobre finanças. Mas, para os povos indígenas, com quem trabalhamos em solidariedade, trata-se de financiamento direto para os povos indígenas, não apenas para governos, não apenas por meio de corporações e intermediários, mas diretamente para os povos indígenas, para que tenham a soberania de tomar suas decisões sobre o que querem fazer com suas terras.

E é por isso que vemos, sabe, quando há pessoas excluídas, vemos aqui no Brasil que as pessoas não estão acostumadas a dizer não. E o povo Munduruku, que viajou de suas comunidades, de seus territórios, ameaçados pela mineração ilegal, por um canal industrial para o transporte de soja, por um Ferrogrão, a ferrovia da soja, para transportar soja para a Europa e a China, quando os vemos chegando em ônibus, balsas, barcos, em caravanas gigantes, eles não vêm para ficar do lado de fora. Eles vêm para pressionar os governos, os negociadores. E foi para isso que vieram. Quando vimos a COP sendo fechada na sexta-feira, foram os Munduruku que disseram: “Ninguém entra, ninguém sai”. Por quê? Porque, disseram eles, “Queremos nossas terras demarcadas. Não queremos esse Ferrogrão, essa ferrovia da soja. Não queremos esse canal”. E o presidente da COP apareceu, e Marina Silva apareceu, e a ministra Sônia Guajajara apareceu e se reuniu com eles. E isso... sabe, não era o planejado, mas isso é democracia. E isso é o que há de mais bonito aqui no Brasil.

E como resultado, o governo brasileiro disse: “Vamos suspender o Ferrogrão. Não vamos prosseguir com essa ferrovia de soja para a Cargill, a ADM, a Bunge e todas essas multinacionais alimentarem animais, não pessoas. Não vamos prosseguir com isso sem o consentimento do povo.” E isso é democracia. E esse é o poder do movimento indígena aqui no Brasil.

AMY GOODMAN: De fato, está acontecendo agora mesmo uma marcha indígena bem em frente à COP. Mas, se puder explicar o nível das negociações e quais países estão desempenhando um papel fundamental, você poderia nos dar uma visão privilegiada, se quiser?

LEILA SALAZAR-LÓPEZ: Bem, honestamente, eu não estive tão envolvido nos bastidores. Estive mais de fora. Mas sei que, por parte do grupo indígena, uma das vitórias é que houve menção à mineração. Houve sim. E isso nunca tinha acontecido em uma COP. Há menção à mineração como causa das mudanças climáticas e à necessidade de consentimento livre, prévio e informado. E também há menção a discussões e aos povos indígenas em isolamento voluntário. Isso significa povos isolados. Ainda existem povos isolados aqui na Amazônia. E essa é uma das principais reivindicações do movimento indígena: que as terras dos povos indígenas em isolamento voluntário, em particular, sejam livres de qualquer tipo de extração.

AMY GOODMAN: Quero que as pessoas entendam, e gostaria de fazer esta pergunta à Viviana Santiago. Aqui está você no Brasil, diretora da Oxfam Brasil. O que são comunidades isoladas, pessoas que escolhem voluntariamente viver em isolamento, e o que isso significa? É uma designação governamental bastante formal. E como o governo as protege?

VIVIANA SANTIAGO: Acho que as comunidades indígenas isoladas são a coisa mais linda do mundo, porque podemos ver como essas pessoas decidiram viver de acordo com suas crenças, de acordo com suas tradições. Elas realmente acreditam que não precisam desse contato. Elas não querem esse contato. E a maneira como elas moldam sua cosmovisão é baseada em sua própria história e completamente conectada com a ancestralidade. Aqui no Brasil, elas são protegidas por lei. Elas são protegidas. E nós podemos garantir essa proteção também, porque elas são mais vulneráveis ​​a doenças do que outros povos e comunidades. Portanto, evitar e realmente impedir a presença de pessoas de fora é um dever do governo aqui no Brasil.

Mas as terras deles são extremamente valorizadas aqui no Brasil. E é por isso que abordar a mineração durante a COP é importante, porque agora, devido às transições que estamos enfrentando, a importância dos minerais é constantemente questionada, mas a mineração não é sustentável. Então, quando falamos da importância desses minerais, estamos falando de mineração. E estamos, mais uma vez, colocando essas terras no centro desse processo e tornando-as mais vulneráveis ​​do que antes. E eu acho que, neste momento, o governo brasileiro deve garantir a proteção total dessas terras, e isso pode ser feito protegendo-as. Se você protege a terra, você protege o povo.

AMY GOODMAN: Há mais indígenas aqui nesta COP30 do que em qualquer outra cúpula climática da ONU. Antes de encerrarmos, gostaria que você falasse sobre a proposta do presidente Lula, "Florestas Tropicais para Sempre", e explicasse – e talvez, Leila, você também possa – a proposta de Lula de pagar aos países para que não desmatem.

VIVIANA SANTIAGO: Vou começar. Posso dizer que, na nossa perspectiva como Oxfam, entendemos que é realmente inovador. Esse mecanismo é, de fato, uma inovação dos presidentes da COP, dos presidentes brasileiros. Mas também entendemos que haveria maneiras mais rápidas de alcançar o mesmo resultado. Acreditamos que a tributação global sobre a riqueza e os setores que estão poluindo o mundo agora seria mais eficaz e rápida. O montante disponível para as comunidades começa em 20%, mas entendemos que seria um valor inicial, e os povos indígenas são solicitados a contribuir com pelo menos metade do fundo. Portanto, existe uma maneira simples, e podemos implementá-la: tributar os ricos poluidores, tributar os setores que mais poluem, e o dinheiro arrecadado pode ser destinado às comunidades locais.

AMY GOODMAN: Leila, conversamos com uma ativista climática jamaicana-britânica quando o furacão atingiu a Jamaica, e ela disse que, em vez de nomear os furacões com nomes como "Furacão Melissa" ou "Furacão John", por que não nomeá-los em homenagem a empresas petrolíferas? E eu gostaria de saber, Leila, para finalizarmos, qual a importância de Trump não ter enviado uma delegação de alto nível para esta cúpula, a primeira vez que um governo americano não o faz. Quero dizer, há vários senadores e congressistas que acreditam na mudança climática, que estão aqui representando o governo, mas não representando Trump. Você vê isso como uma oportunidade, no sentido de que o governo não influenciará o que acontecerá, ou eles estão fazendo isso de outras maneiras, por meio dos lobistas dos combustíveis fósseis, por exemplo?

LEILA SALAZAR-LÓPEZ: Sim, como mencionei antes, embora o governo federal não esteja presente, a sociedade civil está. E representantes de estados subnacionais também estavam. Quero dizer, o governador da Califórnia estava presente. Vários representantes do estado da Califórnia estavam presentes. E estamos muito felizes por termos colaborado com o senador Josh Becker, que liderou uma iniciativa no estado da Califórnia para investigar a dependência da Califórnia do petróleo bruto da Amazônia, porque mais da metade do petróleo bruto da Amazônia que vem do Equador, que teve uma eleição incrível ontem em defesa dos direitos da natureza e da democracia, vai para a Califórnia. Então, estamos analisando, como parte da transição justa na Califórnia, a eliminação gradual do petróleo bruto da Amazônia. Mas também precisamos eliminar gradualmente o petróleo bruto no Condado de Kern e na costa da Califórnia. E, portanto, precisamos ver – e estamos vendo – liderança climática nos níveis estaduais, não no governo federal. Mas tenho certeza, sabe, com o desejo de Trump e de outros países de obter cada gota de petróleo, que eles estão apoiando os lobistas da indústria de combustíveis fósseis que estão presentes aqui na COP.

AMY GOODMAN: Então, vamos continuar esta conversa durante toda a semana, já que estamos aqui transmitindo da COP30, a cúpula climática da ONU, na cidade de Belém, porta de entrada para a Amazônia. Leila Salazar-López, muito obrigada por se juntar a nós, diretora executiva da Amazon WatchE Viviana Santiago, diretora-executiva da Oxfam Brasil, que agora faz parte do governo Lula, integrando o conselho consultivo presidencial.

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