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Grande mobilização fluvial com mais de 5,000 líderes da Amazônia chega à COP30

Mais de 200 embarcações transportando líderes indígenas, ribeirinhos e de movimentos sociais ocuparam a Baía de Guajará em um ato histórico para a Amazônia e para a justiça climática. O cacique Raoni Metuktire lembrou ao mundo uma verdade simples: “A floresta vive porque estamos aqui. Se removerem as pessoas, a floresta morrerá com elas.”

12 ° de novembro de 2025 | Para divulgação imediata


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Belém, Brasil – Em um dos momentos mais simbólicos da COP30, mais de 200 embarcações com aproximadamente 5,000 pessoas navegaram pelas águas da Baía de Guajará, em Belém, na manhã de quarta-feira. A flotilha, que inaugurou as atividades da Cúpula dos Povos, reuniu representantes de 60 países e destacou a resistência de movimentos indígenas, ribeirinhos, quilombolas e sociais que denunciam os impactos da expansão da soja, das hidrovias e da ferrovia Ferrogrão na Amazônia.

A ação, que partiu da Universidade Federal do Pará (UFPA) e percorreu os rios Guamá e Guajará até Vila da Barca, representou um apelo global pela proteção dos territórios e pelo respeito aos direitos dos povos da floresta, em contraposição às chamadas “soluções verdes” promovidas por governos e empresas durante a COP30. 

"Para Amazon WatchÉ uma profunda honra apoiar esta caravana histórica que leva as vozes e as demandas dos povos da Amazônia e do Cerrado ao coração da COP30. Os negociadores dentro da Zona Azul devem ouvir e responder a esses legítimos apelos por justiça climática e territorial. O povo está se manifestando: a floresta e o planeta não podem mais esperar. Não ao Ferrogrão. Justiça climática agora!” Amazon Watch A diretora executiva Leila Salazar-López também participou do evento.

Após o ato fluvial, líderes indígenas realizaram uma coletiva de imprensa a bordo da embarcação Answer Caravan, com a participação do Cacique Raoni Metuktire, figura histórica na luta indígena no Brasil e no mundo.

“Quando eu era mais jovem, conversei sobre esses problemas com seus líderes. Há muito tempo venho alertando que precisamos evitar esses desfechos negativos. Agora vocês veem os rios secando, e isso é por causa do desmatamento”, disse Raoni. “O governo quer perfurar poços de petróleo na Amazônia e construir uma ferrovia. Todos nós enfrentaremos problemas se isso continuar. Eu disse a Lula para não explorar petróleo na Amazônia e que não queremos a Ferrogrão. E se for preciso, vou repreender o presidente. Ele precisa mostrar respeito”, afirmou.

O chefe também fez um apelo à comunidade internacional: “Conversei com chefes de Estado de outros países. Sempre lhes digo que precisamos preservar. Quando viajo para o exterior, ninguém me oferece dinheiro por minerais ou madeira. Eles entendem que nossos territórios devem ser protegidos. É isso que queremos: respeito e compromisso com a vida.”

Mulheres indígenas reforçam a mensagem

Juntamente com Raoni, os líderes Kayapó enfatizaram a unidade entre os povos e movimentos.

Kokonã Metuktire destacou o papel das mulheres indígenas na resistência. “As mulheres dão e sustentam a vida em nossos territórios. A soja contamina o solo, a água e o futuro. Basta de destruição de nossas terras. O planeta não aguenta mais. Levem nossa mensagem ao mundo: parem de ameaçar o futuro de nossos filhos.”

Vinda da região do Tapajós, Vivi Borari, porta-voz da Aliança Chega de Soja, ressaltou o caráter simbólico da mobilização. “Saímos de Sinop, berço da soja, percorremos a BR-163 e atravessamos o território Munduruku, afetado por portos, soja e mercúrio proveniente da mineração. Rejeitamos a privatização dos rios, a detonação de corredeiras e a transformação de nossos rios em hidrovias industriais. Basta de projetos que trazem destruição em vez de vida.”

Megaron Txucarramãe declarou: “A presença dos povos indígenas na COP30 é muito importante, mas a luta não termina aqui. Estamos aqui com os movimentos sociais para levar nossa mensagem ao governo: somos contra o Ferrogrão e contra as plantações de soja que ameaçam as terras indígenas.”

Raoni e os povos amazônicos x Ferrogrão

Com 933 quilômetros de extensão entre Sinop (MT) e Miritituba (PA), a Ferrogrão foi projetada para acelerar o transporte de soja e milho pela Amazônia. Em um raio de 300 quilômetros de Sinop, ponto de partida da ferrovia, concentra-se 40% da produção de soja do Mato Grosso, a maior do Brasil. Atualmente, o tráfego na BR-163 chega a 4,000 caminhões por dia durante a safra. O agronegócio promete reduzir os custos de frete pela metade, mas especialistas alertam para efeitos colaterais devastadores: a expansão de monoculturas próximas a terras indígenas como Capoto-Jarina, onde vive o Cacique Raoni, e o aumento do uso de agrotóxicos que já contaminam rios e peixes da região.

Em 2024, durante uma cerimônia em Belém (cidade anfitriã da COP30) com a presença dos presidentes Lula e Emmanuel Macron, o chefe Raoni já havia feito um apelo direto contra o Ferrogrão. “Peço a Lula que não aprove o Ferrogrão. Se essa destruição continuar, todos nós enfrentaremos sérios problemas”, declarou o líder Kayapó ao receber a Legião de Honra da França, a mais alta condecoração do país.

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