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Escândalo da “Máfia da Mineração” Ameaça a Credibilidade do Brasil na COP30 enquanto a Polícia Descobre Fraude em Massa

Às vésperas da cúpula do clima COP30, um escândalo de corrupção no Brasil expõe como a mineração opera fora da lei, colocando comunidades e o clima em risco

24 de setembro de 2025 | Para divulgação imediata


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Belém, Brasil – A prisão do diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM) e de um alto funcionário do Serviço Geológico do Brasil (SGB), além de outros 20 alvos da Operação da Polícia Federal Rejeitado, desencadeou uma crise sem precedentes no setor de mineração brasileiro e levou a deputada Duda Salabert (PDT-MG) a exigir a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da mineração. A investigação policial expôs um esquema de corrupção e fraude em licenciamentos avaliado em centenas de milhões e potencialmente bilhões de dólares, atingindo os mais altos escalões das agências reguladoras e revelando o que Salabert descreveu como uma "máfia da mineração" que se infiltrou em todos os poderes do governo.

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de minério de ferro, e suas exportações de ouro são direcionadas aos mercados internacionais. A corrupção e a fraca fiscalização neste setor representam riscos não apenas para as comunidades locais, mas também para as cadeias de suprimentos globais e as finanças internacionais.

“O que a Polícia Federal revelou na Operação Rejeitado São situações que venho denunciando há anos, quase sempre como uma voz solitária no Congresso. A relação entre mineradoras, lobistas e governo vai além da imoralidade: opera como uma máfia infiltrada em todos os poderes. É lamentável que o país que sediará a Cúpula do Clima da ONU (COP30) em Belém tenha aprovado a chamada Projeto de Lei da Devastação, o que abre ainda mais brechas para tais crimes. "Queremos ser referência global em proteção ambiental? Isso não acontecerá enquanto as mineradoras e outras corporações poluidoras permanecerem isentas de responsabilidade", disse Salabert em comunicado à Amazon Watch.

Também de Minas Gerais, a deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG) cobra a continuidade das investigações. “A polícia desvendou uma rede de corrupção que atinge os mais altos escalões dos órgãos ambientais de Minas Gerais e levanta sérias suspeitas de manobras para favorecer mineradoras em detrimento da vida. Em nosso estado, medidas de proteção de territórios têm sido sistematicamente bloqueadas, e essa omissão não é apenas um ataque à nossa memória cultural, mas um risco direto ao abastecimento de água da região metropolitana e à sobrevivência de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais e seus territórios. A vida não pode ser moeda de troca: precisamos de investigação rigorosa e responsabilização imediata”, afirmou a deputada.

O pedido da CPI ocorre em meio às consequências da Operação Rejeitado, conduzida pela Polícia Federal e pela Controladoria Geral da União (CGU), que descobriu licenças fraudulentas de mineração em Minas Gerais, o mesmo estado que sofreu os desastres mortais de Mariana e Brumadinho em 2015 e 2019. A operação resultou em 22 prisões, suspensão de servidores públicos e o bloqueio de R$ 1.5 bilhão (US$ 280 milhões) em ativos, com mais R$ 18 bilhões (US$ 3.4 bilhões) em projetos potencialmente afetados pelo esquema. Para os movimentos sociais que resistem à expansão destrutiva da mineração, essas revelações confirmam que tais crimes não são exceções, mas parte de um padrão estrutural de captura do Estado por interesses privados.

Em um artigo do carta pública Em nota divulgada esta semana, a Aliança Volta Grande do Xingu, uma coalizão internacional de comunidades, organizações e pesquisadores, manifestou total apoio à CPI e instou os parlamentares a endossarem o pedido da Deputada Salabert. “Esses episódios não podem ser tratados como acidentes; são crimes anunciados, fruto da captura do Estado por interesses privados e da negligência crônica de órgãos que deveriam proteger as pessoas e o meio ambiente. Permitir que Belo Sun avance significaria repetir os mesmos erros na Amazônia que devastaram Minas Gerais”, afirmava a carta.

O alerta da Aliança refere-se à empresa canadense Belo Sun Mining, que pretende construir a maior mina de ouro a céu aberto às margens da região de Volta Grande, no rio Xingu, no estado do Pará. Um tribunal suspendeu a licença do projeto em 2017, alegando falhas no processo de consulta aos povos indígenas Juruna e Arara. Autoridades e grupos da sociedade civil acusaram a empresa de grilagem de terras em assentamentos agrários federais e de contratar segurança armada para intimidar comunidades locais. Estudos independentes apontaram ainda para um risco "inaceitavelmente alto" de rompimento da barragem de rejeitos, que poderia despejar milhões de metros cúbicos de resíduos tóxicos no Xingu em questão de horas.

Segundo especialistas, a crise vai além da responsabilização individual. “As investigações mostram que os principais reguladores da mineração no Brasil serviram à pilhagem de bens públicos por interesses privados. O sistema regulatório deixou de cumprir seu papel constitucional e passou a conspirar com o crime organizado. Isso coloca em questão a integridade e a eficácia de todo o modelo regulatório, que precisa ser reestruturado e reconstruído”, disse Ana Alfinito, assessora jurídica da Amazon Watch.

Mariazinha Baré, coordenadora-geral da Rede de Povos e Organizações Indígenas da Amazônia (APIAM), em coordenação com a COIAB, defende que a investigação também olhe para a Amazônia, pois, segundo ela, a região também sofre com licenças irregulares.

“Essas autorizações falsas não só legalizam o avanço da destruição, como também colocam em risco nossa água, nossa saúde e nossa segurança alimentar. O povo Mura, como tantos outros, está sendo diretamente afetado por licenças que muitas vezes são concedidas sem consulta, sem respeito à Convenção 169 da OIT e em total desrespeito aos nossos modos de vida. É essencial dar visibilidade ao que está acontecendo em nossos territórios”, disse Baré.

O pedido da CPI precisa de 171 assinaturas na Câmara dos Deputados. Salabert e organizações de apoio alertam que, se os parlamentares se recusarem a endossar a iniciativa, isso demonstrará inequivocamente que o lobby da mineração conquistou o controle do Congresso.

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