Como a nova fronteira petrolífera do Equador ameaça a floresta, seus povos e nosso futuro
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A Amazônia está se tornando rapidamente uma nova fronteira para a produção de petróleo. Ela detém quase um quinto das reservas mundiais de petróleo e gás natural recentemente descobertas, principalmente nas áreas costeiras do Brasil e da Guiana. Ao mesmo tempo, o interesse e o investimento na exploração terrestre estão ressurgindo. Isso coincide com o bioma Amazônia atingindo um ponto crítico existencial: o desmatamento, a perturbação climática e a degradação dos ecossistemas ameaçam transformar vastas áreas de floresta tropical em pastagens secas e savanas, colocando o bioma, seus povos e o planeta em risco.
Os combustíveis fósseis são a principal causa das mudanças climáticas – e, na Amazônia, também são um dos principais impulsionadores do desmatamento. O Equador é o maior produtor terrestre de petróleo bruto na região da floresta tropical amazônica. Embora sua participação na Amazônia seja relativamente pequena – cerca de 135,600 km² –, é uma das regiões com maior biodiversidade e abriga treze nacionalidades indígenas, incluindo algumas que vivem em isolamento voluntário. Após sessenta anos de extração de petróleo, os impactos são severos: construção de estradas, derramamentos de óleo, despejo de águas residuais tóxicas, queima de gás e infraestrutura industrial contribuíram para o desmatamento desenfreado, a contaminação, a perda de biodiversidade e a erosão da saúde, autonomia e território indígenas.
Em 2023, o Equador fez história quando os cidadãos votaram esmagadoramente em um referendo nacional para manter uma de suas maiores reservas de petróleo permanentemente no solo e desativar as operações de perfuração. Foi uma inovação mundial – e uma grande vitória para a biodiversidade, a proteção do clima e os direitos indígenas. No entanto, o novo governo do presidente Daniel Noboa está mudando de rumo, apostando em mais petróleo, e não em menos.





