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Ação SLAPP de mineradora canadense contra defensores da Amazon é rejeitada no Brasil

Tribunal expõe tentativa da Belo Sun de silenciar críticos de seu projeto de mineração de ouro no coração da floresta amazônica

15 de maio de 2025 | Para divulgação imediata


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Altamira, Pará, Brasil – Ontem, o juiz brasileiro Felippe José Silva Ferreira rejeitou uma ação criminal movida pela mineradora canadense Belo Sun que tinha como alvo 33 pequenos agricultores do assentamento de reforma agrária da Ressaca, duas lideranças do movimento Xingu Vivo, Amazon WatchO ex-diretor da empresa no Brasil e outros indivíduos que apoiaram ou documentaram uma ocupação de resistência que protestava contra a polêmica da empresa propuseram um megaprojeto de mineração de ouro na Amazônia brasileira. 

Em sua decisão, o juiz encerrou o caso por falhas processuais e falta de base legal, considerando as acusações inadmissíveis.

A decisão do tribunal reforça denúncias de longa data contra a Belo Sun por organizações brasileiras e internacionais, que documentaram o uso de ações judiciais e segurança privada armada pela empresa para intimidar e reprimir membros da comunidade cujas terras estão dentro da proposta de zona de mineração da Volta Grande do Xingu. Esta região de alta biodiversidade e ecologicamente sensível, localizada no estado do Pará, também sediará a COP30, a cúpula do clima da ONU, deste ano.

Ana Alfinito, Amazon WatchO Consultor Jurídico da M&A no Brasil, disse:

“A criminalização da agricultor A ameaça à integridade física de famílias e organizações da sociedade civil é uma estratégia utilizada pela Belo Sun para silenciar aqueles que denunciam suas operações na Volta Grande do Xingu. Esta não é a primeira vez que a empresa ataca defensores da terra dessa forma. A decisão do tribunal de rejeitar a ação judicial representa uma vitória para os movimentos de proteção florestal, controlando uma empresa que parece se considerar acima da lei. Amazon Watch está ao lado dos defensores de Volta Grande, monitorando as ações da Belo Sun e apoiando a luta das famílias e comunidades que sustentam a vida no território.”

Mais informações

A Belo Sun é alvo de inúmeras ações judiciais e reclamações por abusos de direitos humanos, uso ilegal de terras públicas e falha em realizar consulta livre, prévia e informada às comunidades indígenas e tradicionais ameaçadas, em violação à Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho.

A licença ambiental do projeto está suspensa desde 2017, e ele enfrenta crescente oposição de movimentos sociais, pesquisadores, comunidades locais e membros do Congresso brasileiro, bem como de órgãos de fiscalização internacionais alarmados com o risco da megamina causar danos irreversíveis às florestas e cursos d'água da região amazônica.

Em 2022, foi fundada a Amazon Watch e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) publicou o relatório Cumplicidade na Destruição IV, identificando o projeto Belo Sun como um dos exemplos mais flagrantes de violações de direitos ligadas à mineração na Amazônia. O relatório denuncia a conduta opaca e repressiva da empresa, incluindo o uso de segurança privada armada. 

“Desde abril de 2021, efetivos armados contratados pela Belo Sun patrulham as aldeias de Ouro Verde, Ressaca e a área de mineração do Galo”, afirma o relatório. “A presença deles em terras públicas, agindo em nome da empresa, intimida e ameaça comunidades tradicionais.”

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